3.1.26

Será Bem Melhor

 

Texto-base: Romanos 8:18
“Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo (kairou) presente não são para comparar com a glória (dóxan – manifestação radiante da presença de Deus) que em nós há de ser revelada.”

Esta carta foi escrita pelo apóstolo Paulo aos irmãos cristãos de Roma, por volta do ano 57 d.C., dirigida a uma comunidade cristã já estabelecida, composta por aproximadamente 1.500 cristãos. Essa comunidade teve início com cerca de 26 irmãos, entre eles: Priscila e Áquila, Epeneto, Andrônico e Júnia, Maria, Amplíato, Urbano, Estáquis, Apeles, os da casa de Aristóbulo, Herodião, os da casa de Narciso, Trifena, Trifosa, Pérside, Rufo e sua mãe, Assíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas, Hermas, Filólogo, Júlia, Nereu e sua irmã, e Olimpas. Todos esses nomes estão registrados em Romanos 16:3–16.

Essa pequena comunidade contrastava com uma população de mais de um milhão de romanos residentes, que cultuavam diversos deuses e seguiam diferentes correntes filosóficas da época. Além disso, os cristãos enfrentavam perseguições políticas, que culminariam no governo de Nero, em 64 d.C. Embora numericamente reduzida nos dias de Paulo, a igreja em Roma era estratégica, resiliente e convicta em sua fé, sobrevivendo a perseguições intensas.

É importante compreender que Roma era um centro cosmopolita, marcado por ampla diversidade religiosa. O sistema religioso era politeísta, permitindo o culto a deuses tradicionais, divindades estrangeiras e até ao próprio imperador. O Estado possuía a chamada Tríade Capitolina, composta pelos deuses oficiais:

  • Júpiter: rei dos deuses, equivalente ao Zeus grego, senhor dos céus e do trovão;

  • Juno: rainha dos deuses, protetora das mulheres e do casamento;

  • Minerva: deusa da sabedoria, das artes e da estratégia militar.

Além desses, havia diversos deuses estrangeiros e divindades menores cultuadas dentro dos lares, como os espíritos protetores da casa e da despensa, e os Gênios, considerados o espírito divino individual de cada pessoa, especialmente do chefe da família. Quem assistiu ao filme Gladiador pode perceber que o guerreiro Máximus mantinha pequenas imagens de devoção pessoal, que cultuava diariamente.

Esse era o contexto no qual a igreja estava inserida. Ao olharmos ao nosso redor, conseguimos perceber semelhanças: a realidade de Roma se assemelha muito à nossa. Vivemos em um país religioso, mas nem sempre cristão. Muitos, inclusive cristãos evangélicos, acabam depositando sua fé em coisas, pessoas ou outras referências, em vez de confiar exclusivamente no Senhor Jesus.

A convicção de Paulo era tão firme e positiva que ele expressa sua declaração com grande autoridade ao dizer: “para mim…”.
Aqui encontramos um primeiro e impactante ensinamento desta palavra: como tem sido o seu “para mim”? Paulo cria, conhecia o Senhor e não titubeou diante das perseguições e adversidades. Ele estava convicto, e nada abalaria sua fé.

Vivemos tempos em que muitas pessoas sinceras têm visto sua fé enfraquecer.

  • Onde tenho depositado minha confiança em tempos de dificuldade?

Paulo afirma que as aflições, lutas e perseguições do tempo presente (kairós) não podem ser comparadas à glória futura. Tudo nesta vida é passageiro; a glória vindoura supera, em muito, as aflições do presente. A aflição é leve e temporária quando comparada à suprema e eterna glória. O próprio Paulo declara em 2 Coríntios 4:8 Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.”

Ele deixa claro que essas dificuldades não eram um privilégio exclusivo da igreja de Roma, mas também da igreja de Corinto, mostrando que o sofrimento faz parte da caminhada cristã. Você não é o único a passar por lutas.

De acordo com o apóstolo Pedro, em 1 Pedro 4:13–19, se somos participantes dos sofrimentos, também seremos participantes da glória. O próprio Jesus afirmou que não existe a possibilidade de uma vida cristã sem aflições, conforme João 16:33.

Por isso, fuja de falsas promessas de uma vida cristã que anuncia apenas conquistas e vitórias. A nossa maior tranquilidade está na declaração de Jesus: Ele venceu o mundo e não nos deixou órfãos.

Paulo encerra o versículo afirmando que a glória será revelada em você, caso você seja verdadeiramente filho de Deus.
Mas como saber se somos filhos? O versículo 14 responde:
“Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.”

Permita-se ser guiado por Deus.
O Senhor deseja que a igreja seja manifesta no mundo físico e espiritual por meio da sua vida, conforme Efésios 3:10:
“Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos principados e potestades nos lugares celestiais.”

Que, em 2026, você tenha em mente: “Em Jesus, tudo sempre vai melhorar.”


 

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