11.6.20

UM BREVE ESTUDO SOBRE ANJOS, BASEADO EM - Teologia Sistemática - Millard Ericksom.

Karl Barth, indica que se trata de um assunto mais extenso dentre os que se encontram mais recentes de teologia, descreveu o tópico dos anjos como "o mais notável e difícil de todos.” Terminologia O principal termo hebraico equivalente a anjo e mal’ak, a palavra grega correspondente e angelos; em ambos os casos, o significado básico é "mensageiro". Os dois termos são usados tanto para mensageiros humanos como para anjos. Quando usados para anjos, os termos salientam sua função de levar mensagens. Outros termos do Antigo Testamento para anjos são "santos" (SI 89.5, 7) e "vigilantes" (Dn 4.13, 17, 23). Coletivamente, são tratados por "o conselho" (SI 89.7, BJ [v. 8]), "a assembleia" (SI 89.5), e "exército" ou "exércitos", como na expressão muito comum "SENHOR ou Senhor, Deus dos exércitos", que e encontrada mais de 60 vezes, só no livro de Isaias. As expressões do Novo Testamento que se creem referir-se a anjos são "milícia celestial" (Lc 2.13), "espíritos" (Hb 1.14) e, em varias combinações, "principados", "poderes", "tronos", "domínios" e "soberanias" (veja esp. Cl 1.16; tb. Rm 8.38; ICo 15.24; Ef 6.12; Cl 2.15). O termo arcanjo aparece em duas passagens, I Tessalonicenses 4.16 e Judas 9. Nesta, Miguel e denominado arcanjo. Sua origem, natureza e posição ■ Não se afirma claramente na Escritura que os anjos foram criados e o relato da criação não os menciona. (Gn 1-2). Que foram criados, no entanto, infere-se claramente do Salmo 148.2, 5: "Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todas as suas legiões celestes [...] Louvem o nome do SENHOR, pois mandou ele, e foram criados". Judeus e cristãos vem ha muito acreditando e ensinando que os anjos são seres imateriais ou espirituais. Aqui, assim como na questão de sua criação, não há provas explicitas em abundância. Alias, pode-se concluir que os anjos e espíritos estão sendo distinguidos entre si em Atos 23.8,9, embora os anjos possam estar contidos no gênero dos espíritos. A afirmação mais clara com respeito a natureza dos anjos encontra-se em Hebreus 1.14, onde o autor, numa obvia referencia a eles (veja v. 5, 13), diz: "Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviços a favor dos que hão de herdar a salvação?" Parece seguro concluir que os anjos são seres espirituais; eles não possuem corpo físico ou material. Às vezes existe a tendência de exaltar demasiadamente os anjos, dando-lhes o louvor e a reverencia só devidos a Deidade. No entanto, a passagem mais longa que trata dos anjos, Hebreus 1.5—2.9, faz questão de estabelecer que Cristo e superior a eles. Embora, por um breve período, estivesse um pouco abaixo deles, Jesus e em todos os aspectos superior. E embora sejam, por sua vez, superiores aos homens em muitas de suas habilidades e qualidades, os anjos ainda fazem parte da classe de seres criados e, portanto, finitos. Suas capacidades e poderes Os anjos são apresentados como seres pessoais. E possível interagir com eles. Eles tem inteligência e vontade (2Sm 14.20; Ap 22.9). São criaturas morais, alguns sendo caracterizados como santos (Mt 25.31; Mc 8.38; Lc 1.26; At 10.22; Ap 14.10), enquanto outros, os que decaíram, DECAÍDOS são descritos como seres que mentem e pecam (Jo 8.44; jo 3.8-10). Em Mateus 24.36 Jesus insinua que os anjos possuem conhecimento sobre humano, mas, ao mesmo tempo, afirma expressamente que esse conhecimento não é ilimitado: "Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai" Suas atividades 1. Os anjos louvam e glorificam continuamente a Deus (Jo 38.7; SI 103.20; 148.2; Ap 5.11,12; 7.11; 8.1-4). Embora essa atividade em geral se de na presença de Deus, em pelo menos uma ocasião aconteceu na terra no nascimento de Jesus, os anjos cantaram: "Gloria a Deus nas maiores alturas" (Lc 2.13,14). 2. Os anjos revelam e comunicam a mensagem de Deus para os homens. Essa atividade esta mais de acordo com o significado da palavra anjo. Os anjos estavam particularmente envolvidos na mediação das leis (At 7.53; G1 3.19; Hb 2.2). 3. Os anjos ministram aos crentes. Isso inclui sua proteção contra danos. Na igreja primitiva, foi um anjo que livrou da prisão os apóstolos (At 5.19) e, mais tarde, Pedro (At 12.6-11). O salmista experimentou o cuidado dos anjos (SI 34.7;91.11). Entretanto, o maior ministério e no suprimento de necessidades espirituais. Os anjos são espectadores de nossa vida (ICo 4.9; lTm 5.21) e estão presentes na igreja (ICo 11.10). Na morte, os crentes são transportados pelos anjos para um lugar de bênçãos. 4. Os anjos executam julgamento sobre os inimigos de Deus. O anjo do Senhor levou morte a 185 000 assírios (2Rs 19.35), e aos filhos de Israel ate que o Senhor lhe disse para retirar a mão que estava sobre Jerusalém (2Sm 24.26). Foi um anjo do Senhor que matou Herodes (At 12.23). O livro de Apocalipse esta cheio de profecias a respeito do julgamento que ser efetuado pelos anjos (8.6—9.21; 16.1-17; 19.11- 1 4 ) . 5. Os anjos estarão envolvidos na segunda vinda. Eles acompanharão o Senhor em sua volta (Mt 25.31), assim como estavam presentes em outros acontecimentos significativos da vida de Jesus , incluindo seu nascimento, tentação e ressurreição. Eles separarão o trigo do joio (Mt 13.39-42). Cristo enviara seus anjos com um grande som de trombetas para reunir, dos quatro ventos, os eleitos (Mt 24.31; veja tb. lTs 4.16,17). E quanto ao conceito de anjos da guarda, a ideia de que todas as pessoas ou, pelo menos, as que creem, possuem um anjo especialmente destacado para cuidar delas e acompanha-las ao longo da vida? Essa ideia fazia parte da crença popular judaica nos tempos de Cristo e foi transferida para o pensamento cristão. 2 Dois textos bíblicos são citados como provas de que há anjos da guarda. Ao chamar uma criança e coloca-la entre os discípulos, Jesus disse: "Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai celeste" (Mt 18.10). Quando a criada, Rode, disse aos outros na casa que Pedro estava junto ao portão, disseram: "É seu anjo" (At 12.15). Esses versículos parecem indicar que os anjos são especialmente designados para os indivíduos. Anjos maus A origem dos demônios A Bíblia pouco diz a respeito de como os anjos maus passaram a ter o caráter moral que possuem agora, e ainda menos sobre a origem deles. Podemos inferir alguma coisa a respeito de sua origem observando o que se diz a respeito de seu caráter moral. Ha duas passagens estreitamente relacionadas que nos informam sobre a queda dos anjos maus. Diz-se em 2Pedro 2.4 que "Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo". Judas 6 afirma: "a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicilio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande dia". Os seres descritos nesses dois versículos são claramente identificados como anjos que pecaram e caíram em julgamento. Devem ser, portanto, como todos os outros anjos, criaturas. Um problema apresentado por esses versículos e o fato de afirmarem que os anjos maus foram lançados nas trevas para serem ali mantidos ate o julgamento. Isso tem levado alguns a teorizar que ha duas classes de anjos caídos, a dos que estão aprisionados e a dos que estão livres para difundir seu mal no mundo. Outra possibilidade e que esses dois versículos descrevam a condição de todos os demônios. Existe uma indicação de que a segunda posição e a correta no restante de 2 Pedro 2. No versículo 9, Pedro diz que "o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o dia do juízo". Esse linguajar e quase idêntico ao usado no versículo 4. Observe que o restante do capitulo (v. 10-22) e uma descrição da atividade pecaminosa continua das pessoas que estão sendo mantidas sob punição. Concluímos que, da mesma forma, embora lançados as trevas, os anjos caídos tem liberdade suficiente para desempenhar suas atividades más. Os demônios, portanto, são anjos criados por Deus e, por conseguinte, eram originalmente bons; mas ele pecaram e assim tornaram-se maus. Não sabemos o momento exato em que ocorreu essa rebelião, mas deve ter ocorrido no intervalo entre o momento em que Deus declarou "boas" todas as coisas, e a tentação e queda da humanidade (Gn. 3). O chefe dos demônios Diabo e o nome dado pelas Escrituras para o chefe desses anjos caídos. Ele também e conhecido por Satanás, que significa ser adversário ou agir como tal. A palavra grega mais comum para ele e diabolos (diabo, adversário, acusador). Vários outros termos são usados em referencia a ele com menos frequência: tentador (Mt 4.3; lTs 3.5), Belzebu (Mt 12.24, 27; Mc 3.22; Lc 11.15, 19), inimigo (Mt 13.39), maligno (Mt 13.19, 38; l Jo 2.13; 3.12; 5.18), Belial (2Co 6.15), adversário (IPe 5.8), enganador (Ap 12.9), grande dragão (Ap 12.3), pai da mentira (Jo 8.44), homicida (Jo 8.44), pecador (ljo 3.8). Todos eles transmitem um pouco do caráter e da atividade do diabo. O diabo esta, como indica seu nome, empenhado na oposição a Deus e a obra de Cristo. Ele faz isso especialmente tentando os homens. Isso e demonstrado na tentação de Jesus, na parábola do joio (Mt 13.24-30) e no pecado de Judas (Lc 22.3). (Veja tb. At 5.3; ICo 7.5; 2Co 2.11; Ef 6.11; 2Tm 2.26.) Um dos meios básicos usados por Satanás e o engano. Atividades dos demônios Como súditos de Satanás, os demônios realizam seu trabalho no mundo. Pode se entender, portanto, que se engajam em todas as formas de tentação e engano por ele empregadas. Os demônios infligem doenças: mudez (Mc 9.17), mudez e surdez (Mc 9,25), cegueira e surdez (Mt 12.22), convulsões (Mc 1.26; 9.20; Lc 9.39), paralisia ou aleijamento (At 8.7). E, mais especificamente, opõem-se ao progresso espiritual do povo de Deus (Ef 6.12). Possessões demoníacas Incidentes de possessões demoníacas recebem atenção especial nos relatos bíblicos. A expressão técnica e "ter um demônio" ou "estar endemoninhado". As vezes encontramos expressões como "espíritos imundos" (At 8.7) ou "espíritos malignos" (At 19.12). As manifestações das possessões demoníacas são variadas. Já destacamos algumas das doenças físicas infligidas pelos demônios. A pessoa possessa pode ter forca incomum (Mc 5.2-4); pode agir de forma estranha, não usando roupas ou vivendo entre túmulos em vez de morar numa casa (Lc 8.27); ou pode adotar um comportamento autodestrutivo (Mt 17.115; Mc 5.5). E evidente que ha graus de gravidade, já que Jesus falou do espirito maligno que "vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele" (Mt 12.45). Em todos os casos existe o elemento comum: o fato d e que a pessoa afetada esta sendo destruída no campo físico, emocional ou espiritual. Parece que os demônios eram capazes de falar, provavelmente usando os recursos vocais da pessoa possessa (e.g. Mt 8.29, 31). Parece que os demônios também podem habitar em animais (veja os relatos paralelos do incidente envolvendo suínos —Mt 8; Mc 5; Lc 8). Vale notar que os autores bíblico não atribuíam todas as doenças a possessão demoníaca. Lucas relata que Jesus fazia distinção entre dois tipos de cura: "hoje e amanhã, expulso demônios e curo enfermos" (Lc 13.32). E a epilepsia não foi confundida com possessão demoníaca. Lemos em Mateus 17.15-18 que Jesus expulsou um demônio de um epiléptico, mas em Mateus 4.42, os epilépticos (assim como os paralíticos) são distinguidos dos endemoninhados. Jesus expulsou demônios sem pronunciar uma formula elaborada. Ele apenas ordenou que saíssem (Mc 1.25; 9.25). Ele atribuiu o exorcismo ao Espirito de Deus (Mt 12.28) ou ao dedo de Deus (Lc 11.20). Jesus investiu seus discípulos da autoridade para expulsar demônios (Mt 10.1). Mas os discípulos precisavam de fé para ser bem-sucedidos (M^ 17.19,20). O lugar da doutrina dos anjos Por mais que essa crença em anjos bons e maus possa parecer obscura e estranha para alguns, ela desempenha um papel importante na vida do cristão. Há vários benefícios que podem ser obtidos de nosso estudo desse tópico: 1. Para nós, é um consolo e um incentivo saber que ha numerosos e poderosos agentes invisíveis a disposição para nos ajudar nas necessidades. Os olhos da fé farão pelos que creem o que a visão dos anjos fez pelo servo de Eliseu (2Rs 6.17). 2. O louvor e o serviço dos anjos a Deus nos dão um exemplo de como devemos nos conduzir agora e de como será nossa atividade na vida do além, na presença de Deus. 3. Ficamos alertas quando percebemos que ate os anjos, que estavam perto de Deus, sucumbiram a tentação e caíram. Isso e um aviso para nos: "Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia" (ICo 10.12). 4. O conhecimento acerca dos anjos maus servem para nos alertar contra o perigo e a sutileza da tentação que se pode esperar das forcas satânicas e nos faz perceber algumas estratégias do diabo. Precisamos nos guardar contra dois extremos. Não podemos tratá-lo com muita leviandade, para não subestimar seus perigos. Por outro lado, também não podemos nos interessar demais por ele. 5. Ganhamos confiança ao perceber que, por mais poderosos que sejam Satanás e seus cumplices, há limites definidos com respeito ao que podem fazer. Podemos, portanto, pela graça de Deus, resistir a ele com sucesso. E podemos saber que sua derrota final e certa, pois Satanás e seus anjos serão lançados no lago de fogo e enxofre para sempre (Mt 25.41; Ap 20.10).

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