11.12.17
A influência do grego nas palavras em português
O português é uma língua neolatina, isto é, deriva-se do latim, que era falado na Roma antiga e que se espalhou pelo grande império romano. Do latim saíram vários “filhotes”: o português, o espanhol, o catalão, o francês, o italiano, o romeno...
Isso significa que a maioria das palavras que usamos hoje é derivada do latim. Eu disse a maioria, e não todas. Uma língua viva, durante a sua evolução, deixa-se influenciar por outras. A língua portuguesa, com o passar do tempo, foi enriquecida pelo árabe, pelo hebraico, pelo francês, pelo inglês, pelo japonês, pelo alemão...
Marcante na nossa língua é a presença do grego.
Você sabe o que é um oftalmotorrinolaringologista?
Aqui está um belo exemplo de um palavrão que não ofende ninguém. É uma palavra composta por alguns elementos de origem grega.
1o) “Oftalmo” significa “olho”. Oftálmico é relativo ao(s) olho(s). Um oftalmologista é especialista em oftalmologia (= ramo da medicina que estuda os olhos em todos seus aspectos).
2o) “Oto” significa “ouvido”. Otite (= oto + ite) é inflamação do ouvido. Otalgia (= oto + algia) é a popular dor de ouvido.
Já que falamos em “algia” (= dor), lembremos a nevralgia ou neuralgia (= dor dos nervos) e a cefalalgia ou cefaleia, que é a popular dor de cabeça. Daí o encéfalo (en + céfalo = dentro da cabeça) e acéfalo (a + céfalo = sem cabeça). Se você quiser acabar com a dor, tome um analgésico (an + algia = sem dor).
3o) “Rino” significa “nariz”. Rinite é inflamação na mucosa nasal. Muita gente pensa que rinite é inflamação no rim. Errou. Rinite é no nariz, e nefrite é inflamação no rim.
Confusão semelhante ocorre com estomatite. Há quem imagine que seja uma inflamação no estômago. Errou de novo. Estomatite é inflamação da membrana mucosa da boca; do estômago é gastrite.
Uma curiosidade: o rinoceronte deve ter este nome por ter um chifre no nariz.
4o) “Laringo” é a laringe (= garganta). A laringe situa-se acima da traqueia e comunica-se com a faringe. A função da laringe é intervir no mecanismo de fonação (= sons da fala, por exemplo) e impedir que alimentos entrem na traqueia. É por isso que uma laringite (= inflamação na laringe) prejudica a fala e o ato de engolir.
5o) “Logia” é “estudo”. Lembrem-se de biologia (= estudo da vida), geologia (= estudo da terra), cardiologia (= estudo do coração), etimologia (= estudo da origem das palavras)...
6o) “-ista” é um sufixo que dá a ideia de “ofício, ocupação”. É o mesmo que aparece em pianista, jornalista, dentista, artista, jurista...
Conclusão: um oftalmotorrinolaringologista é um médico especialista em olhos, ouvidos, nariz e garganta. É uma especialidade hoje quase inexistente. Afinal, é um especialista em tantas coisas que é quase um clínico geral. E, se o valor de sua consulta fosse por letra, estaríamos perdidos.
Ensinar é persuadir
Ethos, Pathos e Logos
Posted on
Quando o filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) escreveu os três livros que compõem a “Retórica” possivelmente estaria longe de imaginar que passados vários séculos a sua obra continuaria actual e útil para quem procura persuadir o seu público-alvo por meio da retórica.
Segundo Aristóteles, existem três aspectos fundamentais na persuasão. São eles: ethos, pathos e logos.
O Ethos refere-se às características do orador que podem influenciar o processo de persuasão, como a sua autoridade, honestidade e credibilidade em relação ao tema em análise. A capacidade de dialogar do orador e a sua apresentação também estão incluídas nas competências que poderão levar à persuasão.
Por sua vez, o Pathos refere-se ao apelo ao lado emocional do público-alvo. Por exemplo, quando o orador, que se apresenta como membro da audiência, apela às emoções desta última através de metáforas ou de manifestações físicas de emoções (como sorrisos ou lágrimas). Para isso, é imprescindível ter um conhecimento antecipado de como comover o público.
Finalmente, o Logos diz respeito ao conteúdo do discurso, ao uso da lógica. Isto é, à forma como a tese é apresentada (a clareza do discurso, o uso de técnicas como a repetição, a escolha minuciosa da ordem dos argumentos, o evitar ou uso hábil de falácias) e à força dos seus argumentos, diminuindo as hipóteses de refutação.
Previsivelmente, o ideal será combinar estas três componentes em qualquer processo de persuasão, de modo a que o Logos possa apoiar o Ethos do orador (e vice-versa) e que o Pathos ajude à aceitação dos argumentos racionais (o Logos).
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Em Ziclague, a Dor Precede a Restauração
Texto: 1 Sm 30.1-8. ⁸ e ele perguntou ao Senhor: "Devo perseguir este bando de invasores? Irei alcançá-los? " E o Senhor respo...
-
Texto João 21 1- 14 “ Vou pescar", disse-lhes Simão Pedro. E eles disseram: "Nós vamos com você". Eles foram e entraram n...
-
Texto: Juízes 6:11-16 Podemos perceber que ao longo de textos bíblico do Antigo e do novo testamento o nosso Deus, utiliz...
-
TEXTO: Marcos 3: 13-15 0 melhor método para discipular outros e o do Discipulador Mestre, devemos olhar para ele a fim de descobrir a ...

Nenhum comentário:
Postar um comentário