21.10.26

Um novo olhar sobre a Mulher do Fluxo de Sangue

 

“²⁵ E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue…”

A Bíblia é um livro fantástico que nos conduz sempre a uma reflexão sobre cada palavra

detalhada nela. No versículo 25 do texto estudado, é dito que aquela mulher havia sofrido

nas mãos de vários médicos. É interessante notar que ninguém vai ao médico a passeio;

a bem da verdade, muitos vão até lá devido a uma patologia.

Note que peregrinar por muitos especialistas para obter um laudo — uma resposta sobre

a nossa situação — ou até mesmo a cura demanda tempo, dinheiro e muita força de

vontade. Esta mulher nos ensina que não devemos entregar os pontos jamais e que

precisamos crer em uma expectativa melhor, ou seja, nunca desistir, pois a desistência

por si só já é o indicativo de uma enfermidade.

Vale muito a pena despender recursos para encontrar a solução de nossas necessidades,

e fica claro que não existe erro ou pecado nessa motivação. Contudo, o fato de não

desistirmos de lutar não anula a possibilidade de enfrentarmos insucessos. Precisamos

aprender a conviver com eles. Fica evidente que a nossa tarefa é nunca desistir; obter

sucesso ou não é algo que fica na conta de Deus.

Perceba que essa mulher não nasceu enferma: a comorbidade a encontrou pelo caminho.

Ela possuía bens e, consequentemente, tinha uma família, mas ambos foram se

dissolvendo com o tempo. Querido irmão, querida irmã, a mãe pode até se esquecer do

filho que amamenta, mas Deus jamais se esquecerá de nós, conforme Isaías 49:15.

Existe, sim, uma promessa de Deus para nós a esse respeito, mas, sem fé e sem

conhecimento, ela se torna insípida, sem valor e sem sentido.

Ela vivia um processo natural de exclusão social e religiosa à época. De acordo com a Lei

de Moisés (descrita em Levítico 15), uma pessoa com fluxo de sangue contínuo era

considerada ritualisticamente impura. Por essa razão, ela vivia isolada da sociedade e

não podia tocar em ninguém sem torná-lo "imundo". Pense comigo: como deve ser a vida

sem poder tocar em outro ser humano?

Hoje, vivemos um tempo em que a tecnologia nos empurra para esse mesmo

distanciamento. Todos nós sentimos na pele as consequências do isolamento. Aquela

mulher experimentava essa dor no meio da multidão: cercada por todos, mas sem ter a

ninguém. Caminhava, vivia e comia na mais absoluta solidão. Note que, na Casa de

Deus, privilegiamos a koinonia, pois na comunhão existe cura. Por isso, um dos primeiros

sinais de que um cristão está com a alma enferma é a busca pelo afastamento do Corpo

de Cristo.

Fico a meditar que, apesar de termos nos empenhado ao máximo, não conseguir vencer

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